quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O exemplo da França



Vocês devem ter visto na TV e nos jornais as mobilizações que estão acontecendo na França. Trata-se da resposta que os trabalhadores e estudantes estão dando aos ataques do governo Sarkozy. Depois de destinar uma quantia enorme de dinheiro público para salvar os grandes bancos e empresas durante a crise econômica, governos do mundo todo preparam planos de ajustes e cortes de direitos.
Na França, a bronca é por causa da proposta da Reforma da Previdência, que aumenta a idade mínima para a aposentadoria. Achei pertinente tratar desse tema aqui, em pleno segundo turno, porque Reforma da Previdência é pauta dos dois candidatos que disputam a presidência do Brasil. Isso significa que, ganhe quem ganhar, podemos esperar ataques para a nossa juventude trabalhadora. E a juventude francesa está mostrando, mais uma vez (lembram-se do Maio de 68?), o caminho da resistência, ao lado dos trabalhadores. Vocês podem ver no site do PSTU como está o envolvimento dos estudantes nessa luta. Essa foto é de uma assembleia estudantil de lá.








Então aí embaixo está a nota que a ANEL escreveu sobre o tema. Vale a pena seguir o blog dessa entidade estudantil ou visitar o site
Um beijo :-)


"Estudantes brasileiros apóiam as mobilizações dos estudantes e trabalhadores na França

No dia 12 de outubro 3,5 milhões de pessoas saíram às ruas em mobilização na França. As diversas manifestações que tomaram todo o país exigiam o fim da reforma da Previdência do governo Sarkozy, que tem imposto duros ataques aos trabalhadores e jovens franceses diante das conseqüências da crise econômica na Europa. O projeto de Reforma de Sarkozy tem como central o atraso do tempo mínimo para as aposentadorias que com as sistemáticas crises, o aumento do desemprego e da informalidade aumenta na prática a idade da aposentadoria de 60 para 67 anos.

Diante desses ataques, a mesma efervescência de luta da juventude francesa que em 2005 derrubou o projeto de lei que flexibilizava as contratações de jovens (Lei do Primeiro Emprego) se expressou na atual luta dos trabalhadores franceses com a adesão de milhares de estudantes. Nessa última quinta-feira as mobilizações estudantis tomaram o território Francês, paralisando cerca de 600 instituições de ensino, en tre escolas e universidades, enfrentando inclusive a repressão policial. A luta estudantil tem colocado em cheque não só os projetos de reforma do governo Sarkozy mas também tem apontado a importante perspectiva da defesa dos direitos a partir da luta lado a lado com os trabalhadores.

Nesse dia 19, terça-feira e sexto dia da greve geral, os estudantes deram mais um exemplo de ousadia, resistência e rebeldia. Já passam de 850 escolas paralisadas e as manifestações tem se radicalizado ainda mais. Diante dessa situação, a saída de Sarkozy foi apelar para a repressão policial para tentar calar os estudantes: Lyon e Nanterre, periferia de Paris, foram foco da mais brutal repressão c ontra os manifestantes.

Frente à crise, os governos de todo o mundo tem imposto aos trabalhadores e a juventude duros ataque aos direitos sociais, salários e empregos, sempre em favor dos lucros das empresas e dos poderosos. Porém, a resistência que temos visto por parte dos trabalhadores europeus, e agora em evidência com a luta dos estudantes franceses, mostra que a mobilização é o único caminho para derrotar esses governos e impor uma saída para a crise sob a ótica da classe trabalhadora e da juventude.

Nesse sentido, a ANEL se solidariza com os milhares de estudantes franceses que tem ido as ruas com ousadia se enfrentar com os ataques de Sarkozy e exigir seus direitos ao lado dos trabalhadores. Chamamos os estudantes brasileiros a apoiarem o conjunto das mobilizações francesas que seguem sacudindo a França repudiando qualquer ação do governo e dos patrões de se utilizar da repressão para conter o movimento.

Os trabalhadores e a juventude não pagarão pela Crise! Viva a luta do povo francês!
Assembleia Nacional de Estudantes LIVRE"

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