sábado, 18 de dezembro de 2010


No dia 28/11/2010, o rapper Ice Band, negro e deficiente físico e visual, foi covardemente agredido por 7 rapazes brancos e de classe média alta no bar Brasil 41, bairro santa efigênia, enquanto conversava com o garçom do estabelecimento. Segundo informações, Ice Band foi agredido sob o pretexto de que estaria tentando roubar comida da mesa dos agressores. Após a agressão, Ice Band acionou a polícia, que também o agrediu, considerando que ele foi o culpado da situação. O saldo final das agressões foram a fratura do maxilar em 4 pontos e a fratura da clavícula, que levaram à hospitalização de Ice Band.

Casos como o de Ice Band não são isolados e nem esporádicos como acredita o senso comum. Apesar das argumentações da mídia e do governo de que não há racismo no Brasil, o que se vê na verdade é que o racismo sempre existiu e que tem havido um aumento dos casos nos últimos anos. São exemplos claros o caso de um funcionário da USP que foi agredido por seguranças do Carrefour ao tentar entrar no próprio carro (um EcoSport, considerado pelos seguranças um carro muito caro para um negro), o caso de uma mulher negra trabalhadora que foi chicoteada e ofendida na praça da liberdade por um branco devido a uma briga entre os cães de estimação de ambos e o caso da empresa de  metro do Rio de Janeiro (SuperVia) que regula o embarque e desembarque de passageiros a base de chicotadas.

Ice Band e os outros foram agredidos, na verdade, pelo sistema capitalista e suas instituições, tanto no nível subjetivo (expresso na crença que os negros são criminosos em potencial, o que justificaria a agressão), quanto no objetivo (agressão policial, liberação dos agressores por pagamento de fiança e a falta de investigação e punição dos casos de racismo, pelo fato de os agressores serem de poder econômico mais elevado).

Este mesmo sistema que legitima as formas de racismo individuais, também apóia as formas de racismo coletivas, demonstradas pela excessiva truculência e violência policial das UPPs contra a população negra e trabalhadora dos morros e pela violência física, moral e sexual exercida pelas tropas brasileiras em “missão de paz” no Haiti, que segundo autoridades militares, serviu de campo de treinamento aos militares que ajudaram a polícia a ocupar os morros cariocas.

O PSTU – MG, por meio desta, demonstra o seu repúdio e indignação em relação ao caso de Ice Band. Exigimos uma investigação profunda sobre o caso e que os responsáveis pela agressão (tanto os civis quanto os militares) sejam duramente punidos, lembrando que o racismo é crime inafiançável, com pena prevista de 2 a 5 anos. Demonstramos, também, a nossa solidariedade com Ice Bend e família, nos colocando à disposição para quaisquer eventualidades.

Belo Horizonte, 14 de dezembro de 2010.

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – Minas Gerais

Abaixo, um vídeo gravado com o próprio Ice Band, em que ele denuncia a agressão: 


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