domingo, 27 de março de 2011

Nós,  do CAS – Coletivo de Artistas Socialistas,  queremos “a independência da arte para a revolução e a revolução para a libertação definitiva da arte!”. Essas são as palavras finais do famoso Manifesto da Fiari (Federação Internacional por uma Arte Revolucionária Independente), que completa agora 73 anos, mas mantém toda a sua força vital e atualidade. Nós, hoje, não vivemos sob a ameaça de uma guerra mundial, como na época em que o Manifesto foi escrito, entretanto a arte sofre uma ameaça tão ou mais grave: a ameaça de ser manipulada pelo capital, de desaparecer como manifestação livre do pensamento e das emoções humanas. Por isso reivindicamos esse Manifesto escrito por Breton e Trotsky em 1938.

Pressionada pelas leis do mercado, a arte tornou-se um produto e não mais o fruto das necessidades e inquietações humanas. Pressionado pelas imposições da indústria cultural, o artista tornou-se um vassalo do capital. Ele depende das benesses do Estado, dos bancos, do grande capital, para poder trabalhar. O rumo da arte brasileira está nas mãos dos departamentos de marketing dos bancos e das grandes empresas.

Os artistas e todos os profissionais da cultura não podem mais consentir com essa degradação. O controle da arte e da cultura de um país significa o controle desse país.

A arte verdadeira, a que não se contenta com variações sobre modelos prontos, mas se esforça por dar uma expressão às necessidades e interesses do homem e da humanidade de hoje, tem de ser revolucionária, tem de aspirar a uma reconstrução completa e radical da sociedade. Para isso, é preciso lutar ao mesmo tempo para que todos tenham emprego e acesso à educação e saúde de boa qualidade, enfim, lutar pela emancipação dos trabalhadores.

Temos de lutar para que o Estado cumpra seu papel. Sem exercer qualquer tipo de comando sobre a criação artística e intelectual da sociedade, o Estado deve usar os impostos pagos pela população para construir as condições econômicas e políticas para o pleno desenvolvimento dos potenciais artísticos e culturais da população, respeitando sua diversidade quer regional, racial, sexual, política e outras.

Na época atual, caracterizada pela violência capitalista, o artista está ameaçado da privação do direito de viver e continuar sua obra pelo bloqueio de todos os meios de difusão e pela falta absoluta de incentivos financeiros por parte do Estado. E quando chegam a receber, não passa de algumas migalhas, ou esmolas, lançadas aos artistas pelos poderes públicos. As parcas leis de incentivo existentes são como tábuas de salvação às quais os artistas se agarram desesperadamente, como única fonte de recursos para sua arte. É por meio delas que o Estado e as empresas capitalistas fazem a seleção dos artistas e das artes que desejam que continuem atuantes.

A Lei de Fomento foi uma grande conquista dos artistas da cidade de São Paulo, que deve ser defendida a todo custo; contudo ela precisa ser aperfeiçoada para contemplar a ampla maioria dos artistas, e não ser uma migalha implorada a cada dia. Neste sentido defendemos a implantação do Prêmio Brasileiro de Teatro para que essa conquista seja levada para todo o país, e de forma permanente.

Não queremos esmolas por nosso trabalho. Não queremos mais pedir de joelhos que subvencionem a nossa arte. Milhares e milhares de artistas isolados, cuja voz é coberta pela falta absoluta de uma política clara de incentivo por parte do Estado, estão dispersos e frustrados. Numerosas pequenas e médias companhias tentam agrupar os artistas que procuram manter-se a todo custo. Toda tendência progressiva na arte sofre dois destinos: ou é difamada pelo capitalismo como uma degenerescência ou então absorvida, num vertiginoso e infernal processo antropofágico pelo sistema capitalista, rapidamente transformando-a em mercadoria.

Temos que lutar contra isso. O artista verdadeiro tem de estar onde o povo está. Devemos apoiar as lutas que os trabalhadores e povos travam em todo o mundo por mais liberdade, por melhores condições de vida, contra a ingerência imperialista  que suga suas riquezas deixando o povo à míngua. Essas lutas vão ao encontro da emancipação humana, tão necessária ao desenvolvimento artístico. As  revoluções que hoje sacodem os países árabes são exemplos a serem seguidos por todos os povos oprimidos e explorados. Essas lutas  são nossas lutas, porque não haverá uma arte livre e independente enquanto existir um único povo  oprimido e explorado.

O que defendemos:

  • A Cultura deve ser tratada como um serviço público, tais como a saúde e a educação;
  • O Teatro deve ser financiado pelo Estado de forma ampla, com um orçamento próprio, independente de quaisquer leis de incentivo;
  • Todos os teatros devem passar para as mãos do Estado, sem qualquer tipo de indenização;
  • Fim dos monopólios privados de produção e exploração da Arte;
  • A defesa dos grupos amadores e independentes, livrando-os da pressão econômica, para que possam se desenvolver livremente, e
  • A defesa do mais profundo internacionalismo no Teatro e a mais estreita relação entre os artistas de todo o mundo. 

Março de 2011.
FONTE: http://coletivodeartistassocialistas.blogspot.com/

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