sexta-feira, 1 de abril de 2011

Guilherme, militante LGBT da juventude
do PSTU, durante o ato do último dia 28.
Meu nome é Guilherme e sou gay. E, hoje, me tornei o “rosto” da última agressão contra gays, lésbicas, bissexuais ou transexuais na região da Paulista, em São Paulo. Mas poderia ser Maria, Edson, Yuri ou Cindy... Poderia ser nordestino, negro, travesti ou mulher. E poderia estar em qualquer esquina do Brasil.

Poderia ser mais um número, vítima anônima desses indivíduos e bandos homofóbicos neofascistas que atuam para destruir tudo o que não se enquadre no padrão “homem-branco-heterossexual”. E mesmo que, agora, eu exija ser reconhecido como “vítima” de um crime, isto, pra nada, significa que me sinta fragilizado.

Muito pelo contrário. Me sinto mais forte do que nunca e isto se deve ao enorme apoio que tenho recebido: das centenas que me cercaram de solidariedade: meus familiares, a solidariedade pela internet, o apoio dos amigos, companheiros de militância, estudo e trabalho; de todas as organizações e lideranças do movimento LGBT (sim, estamos de pé e alertas!), das diversas moções dos movimentos estudantil, sindical e popular.

Por isso, hoje, acima de tudo, venho a público para agradecer, em meu nome e da Secretaria LGBT do PSTU, esta fantástica onda de indignação e solidariedade motivada pelo que ocorreu comigo. Agradecer a cada um dos que estiveram no belo ato que fizemos no dia 28, em frente a delegacia policial, na Consolação, demonstrando que estaremos na rua protestando.

Isso só demonstra que a homofobia não é um problema individual. É algo que afeta a todos nós. Se nada for feito, todos podemos ser “mais um” Guilherme, ou seja, alguém que eles acham que pode ser perseguido, insultado e agredido só por que é gay, lésbica, travesti, transexual, bissexual, mulher, negro, nordestino, indígena...

Esses ataques têm de parar e parar já!

Hoje não queremos justiça só para este caso. Estamos aqui em nome de todas e todos que foram agredidos e que sabem que seus agressores continuam impunes. Queremos punição aos quatro covardes que me atacaram e que sirva de exemplo para esses bandos homofóbicos neofascistas. Parte do cinismo covarde e das mentiras que meus agressores têm usado para se defender é dizer que “nada” aconteceu comigo; “Foi só um empurrão”, “foi só um soco”, dizem. Temos que dizer: nós não aceitamos empurrões, socos, xingamentos, ameaças ou agressões. Ou será que não basta que um de nós morra a cada dois dias neste país? Se não fui destroçado pelo bando é porque pude contar com a solidariedade daqueles que impediram o pior de acontecer.

Agradeço não só por terem salvado minha vida. Agradeço, principalmente, por me demonstrarem que a humanidade não é feita somente das tristes e patéticas figuras como meus agressores. E que, por isso mesmo, temos força pra mudar essa história.

São Paulo, 30 de março de 2011
Guilherme Rodrigues


Criminalização da homofobia já!

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado 
Secretaria Nacional LGBT

Nós, da Secretaria LGBT do PSTU, chamamos a tomar este caso como um exemplo. Não da asquerosa opressão que tenta nos colocar sempre como vítimas, mas sim da nossa disposição de continuar na rua até que nenhum empurrão seja justificado como “nada”. Não aceitamos ser alvo de ações criminosas e que estas fiquem impunes.

Todos estes crimes têm nome. Isto é homofobia. É isto: H-O-MO-F-O-B-I-A que a polícia tem que escrever em seus boletins de ocorrência.

É isto que queremos que seja transformado em crime, como toda agressão injustificada, motivada por ódio, alimentada pela intolerância.

Para isso, só há um caminho: lutar até que o Estado reconheça que homofobia é crime. Exigir de todos os governantes, que abandonem a omissão e assumam a responsbilidade do Estado diante dessa violência. Enquanto isso não acontecer essa gentalha fascista continuará nos atacando impunemente.

E um importante passo neste caminho é conseguir, contra a vontade dos conservadores, que o PLC 122/06 seja aprovado pelo Congresso. Imediatamente.

Ao contrário do que estes bandos querem, não voltaremos para o armário. Vamos denunciar a violência homofóbica que sofremos nas ruas, e também a violência de posições reacionárias como a do deputado Bolsonaro (PP), que imagina viver ainda na ditadura militar, destilando seu ódio de classe, e o preconceito contra mulheres, homossexuais, negros e negras.

Não vamos recuar. Eles querem nos empurrar a socos e pontapés para fora das ruas e para dentro dos armários. Mas não vamos nos calar. Estamos aqui para exigir punição dos agressores (de todos os agressores!).

E continuaremos mobilizados até que a HOMOFOBIA se torne crime e até que o Estado estenda a nós todos os direitos reconhecidos para os heterossexuais.

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