quarta-feira, 27 de abril de 2011

Adesido da ANEL contra a homofobia foi
largamente utilizado pelos presentes no "beijaço".
Nesta quarta-feira (27) o gramado da reitoria da UFMG foi palco de demonstrações públicas de afeto e protesto.

Este dia 27 de março foi marcado por um grande ato de protesto na conservadora Universidade Federal de Minas Gerais. A grande repercussão que ganhou o “manifesto contra as agressões homofóbicas” redigido pelo GUDDS (Grupo Universitário de Defesa da Diversidade Sexual) e pela a ANEL (Assembleia Nacional de Estudantes Livre), em razão da violência sofrida por um casal de estudantes gays durante a calourada do DA-Letras, no início deste mês, colocou na ordem do dia o debate sobre a criminalização da homofobia e o combate às agressões à comunidade LGBTT. Um “flash mob” proposto no Facebook alcançou ampla adesão dos estudantes, que fizeram um “Beijaço contra a homofobia” no gramado da reitoria da UFMG, com cerca de 200 beijoqueiros presentes.

A Juventude do PSTU marcou presença e incentivou a adesão dos estudantes a esse importante protesto. Estaremos presentes também, no próximo no dia 18 de maio, na Marcha Nacional Contra a Homofobia, que acontecerá em Brasília para pressionar os governantes pela aprovação do PL122 (projeto de lei que propõe a criminalização da homofobia, dentre outras medidas). Mas, mais do que isso, nossa juventude estará, como sempre o fez, presente no dia-a-dia, lutando pelo fim desse sistema capitalista que nos explora e oprime, utilizando-se inclusive de preconceitos e ideologias opressoras como a homofobia, o machismo e o racismo.

Repercutimos abaixo algumas notícias veiculadas pela imprensa local sobre o “beijaço”:

27/04/2011 - do Portal G1 
Estudantes fazem ato contra homofobia no campus da UFMG

Evento de nome ‘Beijaço Gay’ reuniu cerca de 150 pessoas. Universidade disse que apoia manifestação.

Por Flávia Cristini

Um ato contra a homofobia reuniu cerca de 150 pessoas, nesta quarta-feira (27), em frente ao gramado da reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no campus Pampulha, em Belo Horizonte. Com a proposta de darem um ‘Beijaço Gay’, expressão que batizou o evento, universitários e simpatizantes da luta pela diversidade sexual marcaram um ponto de encontro pela internet. Alguns casais homossexuais cumpriram o combinado e deram beijos em protesto contra o preconceito.

“Acho legal, para mostrar que não tem diferenças”, falou Isabela, de 23 anos. Ela e a namorada Marcela, 30 anos, não estudam no campus, mas compareceram. Disseram que não sofrem preconceito entre familiares e amigos, mas uma delas já foi reprimida ao beijar dentro de um shopping. “Um segurança pegou no meu braço e disse que aquilo não era coisa para fazer em um ambiente familiar”, lembrou Marcela.

Beijaço gay (Foto: Flávia Cristini/G1)
Marcela e Isabela aderiram ao protesto no
campus da UFMG. (Foto: Flávia Cristini/G1)
Na concentração, os idealizadores falaram sobre a intenção do ato simbólico promovido após uma denúncia recente de agressão contra homossexuais dentro do campus. “A gente espera que seja um incentivo para quem ainda tem vergonha de se beijar em público”, falou Isadora Lima, de 21 anos, que estuda psicologia na UFMG. Vindo de outra faculdade de Belo Horizonte, Pedro Queiroz, 21, participa de discussões do Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual (Gudds) e ajudou a criar o movimento. Perguntado sobre o impacto que o ‘Beijaço Gay’ poderia causar, respondeu que é importante tratar com mais naturalidade a homossexualidade. “Choca, mas isso vem do fato de que é alguma coisa que as pessoas não querem ver, mas existe”, falou.

Beijaço gay (Foto: Flávia Cristini/G1)
'A gente quer igualdade', falou
estudante. (Foto: Flávia Cristini/G1)
O bancário Marcos, 40 anos, e o mestrando Gilberto, 23 anos, namoram há três anos. “A gente quer igualdade”, disse Gilberto. Para o namorado, não surpreende ouvir relatos de violência do tipo dentro do ambiente acadêmico. “É um reflexo da sociedade, se existe preconceito fora da universidade, vai existir dento também. Mas é lamentável”, falou.

Um grupo de estudantes do curso de publicidade levantou cartazes com a mensagem ‘#eu sou gay’. “Viemos trazer a mensagem de tolerância. Ao dizer ‘eu sou gay’ estamos assumindo o compromisso com a diversidade”, falou Jullie Utsch, de 18 anos.
Beijaço gay (Foto: Flávia Cristini/G1)
Estudantes apoiaram a diversidade sexual. (Foto: Flávia Cristini/G1)
Os integrantes do grupo não se definiram como homossexuais e disseram que a mensagem é de apoio. ”Não é para chocar é para responder de uma forma diferente, com afetividade, a atitudes de homofobia”, falou Marcos Antunes, de 17 anos.

Beijaço gay (Foto: Flávia Cristini/G1)
Drag queen fez a contagem para
o beijo. (Foto: Flávia Cristini/G1)
A presença de um repórter drag queen causou alvoroço. “Vim cobrir e a animação acabou caindo na minha mão”, brincou Malonna, personagem do estudante André Silva, de 25 anos. Ele ex-aluno de artes visuais da universidade e faz parte da equipe de um programa independente. “É uma ação política, que tira da invisibilidade a relação homoafetiva”, falou Mallona ao definir o evento. A drag queen fez a contagem para o beijo.

Logo após o ato, a universidade informou por meio de uma assessora de imprensa ‘que é radicalmente contra a homofobia e que apoia o ato realizado no campus. Ainda segundo a assessora, que acompanhou o desfecho do ‘Beijaço Gay’, uma comissão dentro da universidade já ouviu um casal masculino, que denunciou ter sido vítima de agressão física durante uma calourada no campus. Sobre este caso de violência que incentivou a manifestação, a UFMG informou que procede com as apurações que devem ser concluídas num prazo de 30 dias, a contar da abertura da sindicância no dia 15 abril. O prazo pode ser prorrogado por mais 30 dias.


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