domingo, 3 de julho de 2011

Por Elaine Andrade da Silva - Dirigente das Ocupações Camilo Torres e Irmã Dorothy, na região do Barreiro, em Belo Horizonte.


Assim tem sido os dias para nós mulheres trabalhadoras que, além de lutarmos contra uma sociedade machista, vivemos a dura realidade de sermos excluidas e termos negados nossos direitos constitucionais.

A verdade seja dita mais uma vez, aqueles que tem por dever o papel de nos representar e garantir que nossos direitos não permaneçam apenas na teoria, se esforçam para defender o direito dos poderosos que visam não o bem social, mas o lucro.

A garantia do lucro é conquistada a qualquer preço, mesmo que para isso centenas, dezenas ou milhares de familias sejam jogadas na rua, sem nenhuma solução digna e humana.

Após três anos e meio de luta buscando dos governos municipal, estadual e até federal uma solução justa que nos contemple sinto estar morrendo na praia, afinal está cada vez mais próximo o despejo e nosso pesadelo se tornando real.

Minha mente viaja e me doí saber que tudo que investimos naquela terra, que não cumpria nenhuma função social, pode ser destruído, e tudo leva crer que só o interesse dos poderosos é que pesa. E como ficamos?

A cidade perfeita para copa!
Ruas limpas, hotéis confortáveis, praças seguras e cercadas, conjuntos residenciais certinhos, sem pobres na rua, transporte seguro e rápido, campos de futebol invejáveis em fim milhares ou melhor bilhões investidos para dar conforto e prazer aqueles que contribui para a pobreza de nosso país.

Os bastidores da cidade perfeita para copa!
Milhares de familias sem moradia jogadas na rua, desemprego, fome, miséria, ataque direto aos pobres de Belo Horizonte pelo governo municipal que visa o lucro do que bem social.

Não posso me esquecer deste episódio da copa, pois afinal ela contribui diretamente em nossa situação, sendo de fundamental ajuda para causar muitos despejos na cidade.

Quantas mães neste momento não estão como eu, pensando o que fazer para solucionar esta situação que afeta diretamente em nossas vidas. Acreditamos que não dá mais para escolhermos entre a boca de nossos filhos e o pagamento do aluguel.