quarta-feira, 13 de julho de 2011

A juventude tem direito à cultura!


Nós da Juventude do PSTU de Belo Horizonte gostaríamos de dar nosso apoio ativo à manutenção do Duelo de MC’s debaixo do Viaduto Santa Tereza. Repudiamos a tentativa da Prefeitura de acabar com essa iniciativa tão importante para a cultura da juventude de BH e região. Não é atoa que hoje o duelo de MC's está sendo alvo dos ataques de Márcio Lacerda. O Duelo é uma grande demonstração de como o RAP, o HIP HOP e o FUNK ainda tem laços fortes com as suas origens negras. Assim como a juventude negra dos EUA fez no passado, hoje os jovens do Duelo de MC's e artistas com o rapper Ice Band se utilizam da arte da periferia como ferramenta de luta contra o isolamento social, racial e geográfico, que é imposto pelo Estado aos trabalhadores e a juventude negra, inclusive com força policial, como acontece nas favelas e ocupações urbanas da nossa cidade. Esse evento é um grande espaço de resistência para centenas de jovens das periferias e um exemplo de combate à política privatista da Prefeitura em relação à cultura, aos espaços públicos e os demais direitos do povo.


A existência de manifestações artísticas como o Duelo, sem qualquer apoio do estado e sofrendo constante perseguição, demonstra como a política cultural em BH é cada vez mais restrita à uma pequena parcela da população que pode pagar para ter acesso aos eventos e espetáculos.

Além disso, o significado do Duelo acontecer exatamente em um espaço público tem a ver com a necessidade defendermos o direito à da cidade, que está cada vez mais sendo privatizado pelos governos de plantão que excluem os trabalhadores e jovens da periferia de direitos básicos. Ou seja, o Duelo acontece na rua, pois é para acontecer na rua, essa é a sua essência e a sua reivindicação. Retirá-lo de lá e levá-lo para um espaço fechado, longe de uma solução, é um ataque à liberdade de expressão e organização independente da juventude belorizontina.

Vivemos em um sistema em que a lógica do privado domina tudo, inclusive a cultura. A arte e a cultura no capitalismo obedecem às leis de mercado, às imposições dos marqueteiros das grandes empresas, com a finalidade de garantir a necessidade da burguesia de manter a dominação econômica e intelectual sobre a classe trabalhadora. Todos os problemas relativos à cultura hoje têm a ver com essa relação mercantil, que faz da arte uma mercadoria como qualquer outra. Por isso, consideramos urgente emancipar a cultura, desatá-la das mãos do mercado.


Além disso, o Estado (neste caso, representado pelo governo Márcio Lacerda) cumpre o papel de resguardar essa ordem. Vejamos pois quem são os grandes patrocinadores das campanhas eleitorais: os grandes empresários e banqueiros que nesse momento se utilizam da prefeitura para melhor garantir seus lucros.


É por isso que um evento que ocorre debaixo do Viaduto toda sexta-feira e reúne centenas de jovens da classe trabalhadora incomoda tanto. Trata-se de uma subversão da cidade. É a periferia ocupando o centro, indo na contramão da privatização da cultura e dos espaços públicos. São jovens se organizando para se expressar, para falar da sua vida, das suas experiências, suas expectativas, suas necessidades, seus conhos. Jovens que querem ter voz e não estão satisfeitos somente com aquilo que está colocado na grande mídia todos os dias. Jovens que querem algo diferente, fora dos padrões, fora da ordem da cidade e do sistema.

Nós da Juventude do PSTU defendemos até as últimas consequências todas as formas de organização independente da juventude, dos artistas e dos trabalhadores da arte e da cultura. Achamos que é necessário resgatar a cultura como um direito universal: um serviço público, como a saúde e a educação, que precisa ser financiada pelo Estado de forma ampla, com orçamento próprio e compatível. Com isso, as “leis de incentivo” baseadas na renúncia fiscal aos grande empresários poderão ser abolidas e os artistas poderão se expressar livremente, sem as amarras do mercado.


No mundo todo os jovens tem mostrado seu protagonismo e seu potencial revolucionário. Na Espanha, Portugal, Grécia, Egito e agora no Chile, os jovens vem ocupando as ruas e as praças para reivindicarem o direito à uma vida melhor. Esses exemplos devem ser seguidos e a resistência do Duelo de MC’s em BH é muito importante para não deixarmos a prefeitura avançar em sua política de privatização dos espaços e da cultura na cidade.


Nos solidarizamos e damos nosso total apoio aos jovens do Duelo de MC's. Dispomos nossas forças para essa luta. Chamamos a todos movimentos sociais da cidade a também fazê-lo, pois é só através da luta que conseguiremos uma cidade e uma cultura voltada para os jovens e trabalhadores.


PSTU JUVENTUDE - Sempre Socialistas
Belo Horizonte, 13 de Julho de 2011.

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