domingo, 26 de fevereiro de 2012

Por Daniel Wardil, militante da Juventude do PSTU de BH e torcedor do Clube Atlético Mineiro.           

Estádio Independência
 Nas últimas semanas, um dos assuntos mais comentados nas rodas dos torcedores de Minas Gerais foi o badalado acordo firmado entre o Clube Atlético Mineiro e o Arena Independência, consórcio responsável pela administração do estádio na capital mineira. A torcida  dividiu-se entre os benefícios de ter um estádio do galo e a perda que teriam  de não haver mais jogos no Mineirão.  Suposições sobre a relação desse acordo com o suposto jogo vendido entre Cruzeiro e Atlético, no dia 04/12/11 (6x1),  foram muitas. Comenta-se que, a cobrança que Kaliu exigiu parar entregar o jogo era ter em troca o contrato com o Arena Independência.  Mas a verdade não passa nem um pouco por esse tema. Uma coisa é certa, quem ganhou com esse acordo não foram os torcedores, pelo menos não os trabalhadores. Segundo o próprio presidente do Atlético, a ideia é transformar o Independência em uma casa do time, e quer que a torcida abrace a ideia através de um plano de fidelização (sócio-torcedor) que dificilmente será acessível à todos.
Considerando ainda que o estádio não é grande, restará poucas vagas à quem pouco pode pagar. Ficará ao torcedor/trabalhador o relento de um radinho de pilha, ou se matar pra tentar garantir um lugar ao sol no Independência. 

Copa do Mundo: Despejos, Lei da Copa, e Corrupção!

                A cada dia que se aproxima da Copa do Mundo em 2014, as contradições e os ataques aos trabalhadores aumentam. Junto com as necessidades das obras de infraestrutura, a especulação imobiliária estoura e quem sobra é a população pobre. Hoje está em curso no Brasil uma contra-reforma urbana, com ações em diversas cidades com o caso mais conhecido no Pinheirinho, em São José dos Campos. O objetivo é liberar áreas importantes para a exploração e o lucro de poucos.  No âmbito jurídico, a Lei Geral da Copa (PL 2.330/2011) prepara uma série de ataques aos direitos dos estudantes e idosos e ainda sobre o direito de greve dos trabalhadores. Para garantir o mega evento vale de tudo. Inclusive atropelar nossa constituição. Por último, já podemos esperar as dezenas de casos envolvendo desvio de dinheiro público das obras; beneficiamento de terceiros; uso indevido da máquina pública, dentre outros. Afinal são bilhões envolvidos no evento.

Aos torcedores, as batatas!

Sem entrar no importante debate que envolve o processo de alienação dos trabalhadores via futebol, uma das únicas atividades de lazer fica cada vez mais distante da maioria da população. Quem ainda tem a esperança de encontrar preços populares nos ingressos dos jogos nos estádios pós-reformas? O contrato com o Arena Independência com certeza não beneficia nós torcedores que amamos lotar o Mineirão a cada jogo seja disputando a liderança ou correndo do rebaixamento (essa ultima opção é a mais comum nos últimos anos). Um estádio que tem a capacidade de apenas 25 mil torcedores - parte dessa sem visão completa do campo – além de um estacionamento deficitário e vias de acesso congestas são fatores que não agradam a nenhum torcedor muito menos aos moradores do bairro.
Termino esse texto com uma saudade grande de sorrir e chorar no 2° maior estádio do mundo  (classificação passível de correção ... mas isso não importa) e reinvidicando uma faixa da torcida do Ferroviários de Fortaleza: 


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