sexta-feira, 20 de abril de 2012

O ciclo vicioso do transporte coletivo

Os problemas de transporte em Belo Horizonte não são poucos: os ônibus são caros e estão freqüentemente lotados, a estrutura metroviária é pífia (se é que se pode falar em metrô) e as ruas estão cada vez mais cheias de carros, complicando imensamente o trânsito na capital.

Essa situação é conseqüência de vários fatores, como a falta de planejamento no passado ou o estímulo irresponsável à industria automobilística, mas vale destacar a existência de um ciclo vicioso que aprofunda os problemas do transporte coletivo e beneficia as empresas de ônibus.

Se o leitor é um dos 1,6 milhões de usuários diários de ônibus, certamente paga a passagem todos os dias. O dinheiro das passagens vai para a empresa que opera a linha e com esse dinheiro a empresa paga os custos de manutenção e seus funcionários. Como a operação do transporte coletivo é uma concessão pública, a concorrência entre as empresas garantiriam um serviço eficiente e barato para o consumidor, além de a BHTrans organizar e fiscalizar o sistema para a população. Muito bonito, não?

Infelizmente, como em toda empresa privada, a garantia de lucro para se manter próspera, crescendo e atrativa para investidores, é uma prioridade para as empresas de ônibus. Esse lucro pode ser maximizado de duas maneiras: uma é o aumento da arrecadação, pois quanto mais cara for a passagem e mais pessoas por ônibus forem transportadas, mais dinheiro. A outra é cortando custos, por exemplo com a diminuição do salário dos trabalhadores. Os órgãos governamentais deveriam zelar para que essa tendência das empresas não prejudicasse a população, mas aí mora o mais ‘bonito’ do sistema: as empresas de ônibus são grandes financiadoras das campanhas eleitorais. Isso forma um ciclo vicioso onde as empresas financiam os políticos, os políticos garantem os lucros das empresas, que financiam mais campanhas...

Tudo isso só pode ocorrer graças à exploração capitalista. É a diferença entre o que o passageiro paga e o que os trabalhadores recebem que permite aos empresários investirem no que bem lhes interessa, como a compra dos políticos ou a expansão do sistema de ônibus em detrimento da construção de um metrô. É simples assim mesmo! Os trabalhadores trabalham, os passageiros pagam e os empresários, ficam com o dinheiro para decidir como usar! Não parece absurdo que a riqueza gerada por todos fique sob controle de poucos?

A luta contra o problema

O movimento estudantil promove há anos na capital manifestações pelo passe livre, e há poucas semanas estivemos submersos numa greve do transporte coletivo contra um absurdo aumento de 6% nos salários, abaixo mesmo da inflação. Essas ações são importantes, e podem conseguir melhoras no transporte, mas é preciso ter em mente que por si só elas conquistam concessões que podem ser dadas sem ameaçar a acumulação de capital, base da degeneração no transporte coletivo e em outros serviços públicos.

Precisamos de um transporte que atenda às necessidades da população, combatendo a degradação ambiental e melhorando a qualidade de vida nas cidades, e para isso é necessário que as empresas que formam essa mafia do transporte sejam descartadas e substituídas pelo controle coletivo e democrático dos serviços públicos.

Para construir um novo transporte e uma nova sociedade a juventude se vê diante de uma grande tarefa: precisamos construir uma revolução!

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