terça-feira, 15 de maio de 2012

OPERAÇÃO TORRE DE BABEL... CÂMBIO.


Por Rubens Aredes,
mestrando da Escola de Música da UFMG e militante da Juventude do PSTU.


No dia 03 de maio, cerca de 80 alunos da escola de música da UFMG (20% dos matriculados) fizeram a primeira operação TORRE DE BABEL. A ação consistiria numa ocupação fisicamente pacífica, sonoramente violenta, do saguão da Reitoria. Cada estudante com seu instrumento musical, cada estudante tocando uma música diferente. A reivindicação: a imediata construção do anexo do prédio da Escola, prometido desde o início da implementação do REUNI, contratação de professores e aquisição de equipamentos e instrumentos musicais.

A Escola de música encontra-se numa situação caótica. Não há salas de aulas suficientes para que as aulas aconteçam, muito menos salas de estudos. Faltam equipamentos e instrumentos musicais e o número de professores é insuficiente. Desde de 2007, antes da adesão ao REUNI, o movimento estudantil avisava que esses problemas viriam à tona. A Escola de Música da UFMG recebia anualmente cerca de 50 alunos. Com o REUNI, esse número passou de 100 alunos admitidos por ano. Hoje o número de alunos total na escola mais que dobrou, a contratação de professores foi irrisória e a construção do novo prédio continuava sendo só uma promessa sem data para se concretizar.

Indignados, os estudantes foram para a ação. Ao chegarem na reitoria, encontraram o prédio todo blindado: Portas trancadas e muitos seguranças. Não foi possível entrar. Mesmo assim, fizeram um inferno sonoro por mais de duas horas. Na ocasião ocorria a reunião do Conselho Universitário. Infelizmente, o DCE ONDA, declaradamente apartidário e visivelmente de direita, que tinha muito dos seus membros como representantes dissentes no Conselho Universitário, sequer se posicionou sobre o ato durante a reunião, sequer mandou um deles para conversar com os estudantes em luta. Ficaram comendo pão com tomate seco na hora do intervalo para o café, olhando a manifestação da janela da sala do Conselho Universitário. Postura inaceitável por parte de um DCE que diz representar os estudantes de toda a universidade. O DCE foi criticado pelos estudantes da música, por quem a chapa ONDA não conseguiu nenhum voto e de quem tem ganhado a antipatia devido a sua postura 'congressista', de antimovimento e de direita.

No dia 10 de maio, os estudantes realizaram outra Operação Torre de Babel. Novamente encontraram a reitoria blindada e cheia de seguranças. Da reitoria os estudantes de música passaram nos prédios do Instituto de Ciências Exatas (ICEX), Faculdade de Ciências Econômicas (FACE), Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH), Faculdade de Letras (FALE), Escola de Belas Artes (EBA), onde fizeram muito som e leram a carta de reivindicações. Eles foram aplaudidos pelos estudantes dessas unidades recebendo apoio e solidariedade, em especial na FAFICH, quando os estudantes de música declararam apoio à luta dos alunos da unidade por democracia e contra os atos autoritários do seu direitor.

No dia 14 de maio, os estudantes de música realizaram a terceira Operação Torre de Babel no Restaurante Setorial (Bandejão) recolhendo assinaturas de apoio dos diversos estudantes da UFMG. Do bandejão seguiram para a reitoria onde deram continuidade à ação. Neste dia, o reitor recebeu uma comissão de estudantes para negociar. Pressionado e com medo da mobilização dos estudantes, o reitorado cedeu em praticamente todas as reivindicações. Fez o compromisso de entregar o prédio pronto em setembro de 2013. O reitor também se comprometeu a arrumar salas de aulas no CAD (Centro de Atividades Didáticas) de Ciências Humanas, equipando-as com piano eletrônico, para uso da Escola de Música, enquanto o anexo não fica pronto. Também fez o compromisso de comprar equipamentos e instrumentos novos conforme a demanda apresentada.

Os estudantes da Escola de Música da UFMG deram o exemplo para os demais estudantes da UFMG e das universidades do país. É com luta e mobilização que se alcança conquistas. Agora os estudantes da música preparam uma assembléia geral para o dia 17 de maio onde traçarão estratégias para manter a pressão sobre o reitor para que o compromisso seja cumprido.

A Situação da Escola de Música da UFMG não é exclusividade. Todas as Universidades Federais passam por sérios problemas estruturais. o REUNI impõe a meta de dobrar a relação aluno por professor às universidades, passando de 9 para 18. O orçamento para adequar a estrutura das universidades que aderiram ao REUNI ainda é sujeito à capacidade orçamentária do MEC que, por sua vez, tem sofrido com a política de cortes de verbas do Governo Dilma. Isso para não falar da meta de se alcançar o índice de diplomação de 90%, o que tem significado, “matriculou, passou!”. Quem sofre com tudo isso são os estudantes que encontram as universidades públicas sucateadas e sem qualidade.

Enquanto o governa corta verbas da educação, os casos de corrupção, tanto no governo quanto na oposição de direita, são cada vez mais escandalosos. O orçamento destinado ao pagamento da dívida pública é imensamente maior que os orçamentos da educação, saúde e moradia juntos. Enquando a Educação e a Saúde no país vão de mal à pior, muito dinheiro público é dado para grandes construtoras nas obras da copa do mundo.

QUEREMOS EXPANSÃO COM QUALIDADE!
PELO FIM DAS METAS PRECARIZANTES DO REUNI!
10% DO PIB PARA A EDUCAÇÃO PÚBLICA JÁ!

OPERAÇÃO TORRE DE BABEL... CÂMBIO, DESLIGO.

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