quarta-feira, 1 de maio de 2013


Declaração da LIT-QI para o 1º de Maio



A classe trabalhadora e os povos do mundo enfrentam e resistem aos duros ataques que o capitalismo imperialista, através de seus governos e das burocracias sindicais, lançam contra seus direitos históricos e nível de vida.

Esta ofensiva patronal tem como objetivo principal fazer com que sejam a classe operária e os setores populares que paguem pelas consequências de uma das piores crises da história do capitalismo mundial.

Desde aquele fato heroico dos Mártires de Chicago, em 1886, nossa classe continua sofrendo a exploração e a opressão em todo mundo. Nossos inimigos são os mesmos de sempre: o imperialismo, com seus organismos internacionais como o FMI, o Banco Mundial e a Troika e seus governos servis, que atacam nossos direitos e submetem os povos.

Na Espanha, Portugal, norte da África e Oriente Médio, a classe trabalhadora luta contra os planos de ajuste e os governos que os aplicam. Os estudantes mobilizam-se no Chile em defesa da educação pública e gratuita. A juventude levanta-se nos Estados Unidos e na Europa, indignada porque se resgata os banqueiros responsáveis pela crise com milhões de dólares, enquanto os trabalhadores e os povos afundam na pobreza e no desemprego. 

No continente europeu, um dos epicentros da crise, os povos enfrentam uma verdadeira guerra social que está destruindo uma por uma todas as conquistas históricas da classe trabalhadora, atacando os salários, as aposentadorias, a saúde, educação e os serviços públicos. Em países da “periferia” do velho continente, como Grécia, Portugal e o Estado Espanhol, o nível de vida da população está retrocedendo ao de países semicoloniais.

Com todo este saque, crescem as lutas e as greves gerais na Grécia; as greves nacionais, a resistência aos despejos de moradias e a ocupação de bancos na Espanha; as grandes mobilizações em Portugal e as lutas na Itália. Um claro exemplo disso foi a chamada “greve geral europeia” de 14 de novembro passado (14N) com muito peso na Espanha e em Portugal e com impacto em vários outros países, particularmente na Itália. Apesar dos obstáculos impostos pelas burocracias sindicais, corruptas e servis, foi o primeiro ensaio de uma luta coordenada contra os planos de ajuste aplicados em todo o continente.

Esta combinação entre a aguda crise econômica, os planos de ajuste e as lutas gera um enfraquecimento dos governos e inclusive dos regimes políticos. Vários já caíram desde o início da crise. Como assinala a declaração de várias organizações sindicais de classe e alternativas do Estado espanhol, está proposta a luta pelo Fora os governos fantoches da União Europeia e do Capital.

O auge do outro polo da crise econômica e da luta dos oprimidos é a impressionante e histórica onda de revoluções no norte da África e no Oriente Médio. Este processo, que começou há mais de dois anos, continua seu curso e, através da ação direta das massas populares, derrubou vários ditadores, todos fantoches do imperialismo. O pico das revoluções nessa região estratégica está atualmente na Síria, onde o povo armado enfrenta e resiste ao genocídio que perpetrado por al-Assad, protagonizando uma heroica revolução. A revolução síria precisa urgentemente de toda a solidariedade e apoio da classe trabalhadora mundial; a luta do povo sírio é a luta de todas as classes exploradas e dos povos oprimidos. Infelizmente, um dos principais obstáculos para envolver a revolução síria com solidariedade política e material é o apoio vergonhoso do castro-chavismo e da maioria da esquerda mundial ao sanguinário ditador al-Assad.  

O processo de revoluções na região também demonstra o peso da classe operária organizada, em países como o Egito e a Tunísia.

No Egito, a classe operária cumpriu um papel importante na queda de Mubarak e, atualmente, enfrenta o governo Morsi e a Irmandade Muçulmana - que mantém a essência repressora, bonapartista e de agente do imperialismo do regime egípcio - com lutas e greves. Só em 2012, houve 1.500 greves e 3.400 protestos por reivindicações sociais e econômicas e, desde 2011, foram criados mais de mil novos sindicatos independentemente da FES (Federação Egípcia de Sindicatos), que é ligada ao Estado.

Em Tunísia, em meio a uma situação que se radicaliza, ocorreu uma greve geral convocada pela UGTT (a central sindical do país) contra o governo islamista, levando à renúncia do premiê Hamali Jamali. A UGTT é a organização que, a partir de suas bases, vem se fortalecendo e transformou-se em uma referência para todo o movimento em luta contra o governo.

O importante destes processos da Tunísia e do Egito é que a classe operária está avançando em um processo de aprendizagem de luta e organização, através de seus organismos de classe. É um caminho imprescindível, porque esse protagonismo deve ser desenvolvido de modo imprescindível para que esses processos revolucionários avancem.

Já na América Latina, onde no início deste século se expandiu uma onda de revoluções, a crise mundial começa causar impacto em suas economias dependentes e, tanto nos países onde a direita tradicional (México, Paraguai, Colômbia, Chile) governa, quanto naqueles onde o poder é detido pelos chamados governos “progressistas e patrióticos” (Dilma, Cristina K., Evo Morales, Maduro, Correia, Mujica) intensificam-se as medidas de ajuste e o corte de direitos da classe trabalhadora e dos setores populares. Isto se dá no marco de uma resistência e de lutas contra esses planos; combates protagonizados por operários, indígenas, mulheres e estudantes que enfrentam todos os governos, sejam estes da direita clássica ou de colaboração de classes.

Lugar às mulheres e à juventude!


Neste 1º de Maio, queremos reivindicar a ativa participação das mulheres nas lutas da Europa e do Norte da África e Oriente Médio. Esta participação nos postos de vanguarda não é casual, pois as mulheres trabalhadoras representam a metade de classe trabalhadora e sofrem sua dupla condição de exploradas e oprimidas. Nesse processo, a luta contra a opressão da mulher precisa ser assumida de forma permanente como parte das reivindicações da classe trabalhadora.  

Também a juventude, estudantil ou não, é um dos setores mais castigados pelo capitalismo imperialista e pela atual crise. Em muitos países, são os que mais sofrem com o desemprego. E, quando conseguem trabalho, as condições são precárias e com níveis salariais e condições de trabalho muito piores. O capitalismo imperialista expropria-lhes o futuro e, por isso, a juventude estudantil e os jovens trabalhadores e desempregados estão na vanguarda das lutas e das revoluções em curso.  

Unir as lutas!


Neste marco de crise e de confrontos entre as classes, não há necessidade mais urgente que a de unir todas essas lutas em cada país e a nível mundial para derrotar a política dos capitalistas de descarregar a crise sobre nossas costas.

Para conseguir isto, o principal obstáculo são as direções das centrais e dos partidos tradicionais da classe operária, que se alinharam com os governos e os exploradores e se negam a impulsionar planos de luta unificados e uma jornada mundial contra o ajuste dos banqueiros, das multinacionais e seus governos.

Por isso, ao mesmo tempo em que exigimos dos velhos dirigentes que rompam seus pactos com os exploradores, é imprescindível avançar na construção de novas direções dos trabalhadores, com independência de classe, combativas e democráticas, para encabeçar as lutas.
Neste sentido, um passo modesto, mas fundamental, foi o Encontro convocado em Paris no mês de abril por centrais como a Solidaires da França, a Conlutas do Brasil e uma série de outras organizações operárias e populares de vários países do mundo. Este Encontro sindical-político decidiu formar uma rede internacional de luta e solidariedade e aprovou um manifesto comum para o 1º de Maio, chamando a lutar contra os governos e seus planos de ajuste.

Chamamos a desenvolver esta iniciativa e avançar cada vez mais na coordenação das lutas operárias a nível internacional.

A imperiosa necessidade de uma direção revolucionária


O capitalismo imperialista afunda-se e arrasta consigo os trabalhadores e os povos. Este sistema de exploração, para salvar um punhado de empresas e bancos, e manter a riqueza de uma minoria da população mundial, só nos oferece um futuro com mais desemprego, pobreza e fome.

A crise mundial faz com que o capitalismo mostre seu verdadeiro rosto a milhões de trabalhadores. É por esta realidade que as lutas, em todos os níveis, desenvolvem-se e se estendem por todo mundo, desde os países colonizados mais pobres até os mais ricos e desenvolvidos.

Mas o capitalismo imperialista não cairá por si próprio. É necessária uma revolução socialista que o derrote em cada país e a nível internacional e ponha todas as riquezas que hoje a tecnologia é capaz de produzir a serviço das necessidades da imensa maioria da população mundial: a classe trabalhadora.  

Mas as lutas, por muitas e heroicas que sejam, não vão avançar por si próprias para essa revolução. É necessário, no marco de lutas operárias e das revoluções, lutar por uma estratégia socialista.

Neste sentido, sem uma direção revolucionária internacional, expressada em uma organização internacional e em partidos operários revolucionários em cada país, que impulsione e dirija de modo consciente a revolução mundial, a burguesia continuará manobrando e sobrevivendo à beira do abismo.

Por isso, essa é a tarefa central ou, como sempre dizemos, a “mãe de todas as tarefas”, que novamente neste 1º de Maio propomos aos milhares e milhões que lutam em todo mundo: a construção dessa direção revolucionária internacional e de seus partidos nacionais.

Este é o principal objetivo da LIT-QI e a razão de sua existência. É no marco deste objetivo, que a LIT-QI apoia e chama a desenvolver, em primeiro lugar, todas as lutas dos trabalhadores e dos povos contra as medidas de seus governos e pela construção de uma alternativa com independência de classe frente às velhas e traidoras direções políticas e sindicais.

Viva a unidade da classe operária!

Secretariado Internacional da LIT-QI

São Paulo, 30 de abril de 2013.

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