segunda-feira, 15 de julho de 2013

Juventude que quer mudar o mundo: seu lugar é no PSTU!



Por Julio Anselmo, da Juventude do PSTU Rio de Janeiro*

Há algumas semanas, a juventude brasileira olhava para os espanhóis, sírios e turcos se mobilizando, os admiravam e tentavam se espelhar neles. Se antes víamos de longe os jovens de várias partes do mundo lutando, hoje somos nós que estamos lotando as ruas e fazendo história.

Já tivemos conquistas importantes, como a redução das tarifas em várias cidades e medidas contra a corrupção. Mas existe um tipo de vitória que não aparece na TV ou nos jornais. É o fato da juventude brasileira hoje se enxergar como protagonista de seu futuro. É a compreensão de que o mais importante disso tudo é a organização coletiva e a confiança nas nossas próprias forças.


A busca por novas organizações

É muito comum ver nos atos e assembléias pessoas reclamando de partidos e organizações. Não estamos falando dos grupos de ultra-direita que incitam o ódio à esquerda e que inclusive nos agridem fisicamente. Mas sim dos novos ativistas que surgem e olham desconfiados para aqueles que carregam as bandeiras vermelhas. É com vocês que queremos falar.

É natural, e até saudável, que haja desconfiança com os atuais partidos. Isso é fruto da velha política corrupta e da traição de partidos e organizações que deveriam representar nossos interesses e nos traíram, como o PT e a UNE.

Mas os jovens que se mobilizam sabem que precisam se organizar e criam fóruns, assembléias e comitês, por fora dos aparatos tradicionais. E isso também é natural. A cada nova luta, é necessário haver novas organizações. A juventude do PSTU é parte ativa da construção dos espaços que organizam os lutadores em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Natal, etc...

Mas queremos dizer aos que conosco constroem a luta: nós queremos mais! Assim como não nos bastam alguns centavos, não nos bastam organizações apenas para as lutas em curso. Por isso, construímos também outro tipo de organização: o partido revolucionário.


A organização que construímos

Todo partido expressa uma classe social e um programa para a sociedade. Nosso partido é marxista e acredita que a sociedade é dividida em classes antagônicas, que lutam uma contra a outra. E temos um lado: nós defendemos a classe trabalhadora. Por isso, a juventude do PSTU se empolga com a greve geral do dia 11, pois sabe que só quando entram em cena aqueles que produzem toda a riqueza da sociedade, é que pode haver mudanças de fundo nas nossas vidas. É por isso também que achamos que as novas organizações que surgem devem expressar a juventude indignada e também os setores da classe trabalhadora, com seus sindicatos e organizações de classe.
 
Estamos nas ruas lutando pela reivindicações mais sentidas pela juventude, mas sempre ligamos os mais mínimos problemas ao sistema em que vivemos. Barramos o aumento da tarifa, mas nunca deixamos de dizer que isso deve ser feito com a perda de lucro dos empresários. Queremos mais verba para a educação, e denunciamos a enorme quantia de dinheiro dado aos banqueiros a partir do pagamento das dívidas públicas. Lutamos pelo Fora Feliciano expondo o absurdo que é manter pessoas no poder completamente descomprometidas com o interesse da sociedade.

O programa que construímos é o do fim do capitalismo. Não conseguiremos conquistar os nossos sonhos se continuarmos vivendo em uma sociedade que se baseia na exploração da maioria dos homens e mulheres por um punhado de famílias que controlam a economia mundial. Lutamos por uma sociedade socialista, que será alcançada através de uma revolução social, em que tomaremos em nossas mãos o futuro.

Essa é a nossa vida. Quando estamos nas ruas contra o aumento das passagens, por mais verba para a educação ou contra o Feliciano, nunca deixamos de pensar: esse é só o início. Quando temos vitórias, nos sentimos provando que é a força da mobilização que pode mudar a realidade e ganhamos força para seguir na luta. Trotsky dizia que os militantes se sentem “carregando nos ombros uma partícula do destino da humanidade” e de fato é assim que nos sentimos. E você provavelmente também, quando grita bem alto uma palavra de ordem e ela é atendida. Queremos te convidar a viver essa experiência junto conosco. Venha para o PSTU!


Uma polêmica necessária: “democracia real” ou fim do capital?

As mobilizações não só reivindicam questões concretas e imediatas, mas também expressam uma insatisfação generalizada com os governos e com o próprio sistema que vivemos. De forma mais ou menos consciente, estamos lutando contra as mazelas do capitalismo. O que devemos, então, apresentar a essa juventude indignada?

O Juntos, coletivo juvenil ligado ao PSOL e que constrói a Esquerda da UNE, escreve em inúmeros textos que devemos lutar pela “radicalização da democracia”. Queremos polemizar com essa idéia.

Que democracia é essa que o Juntos quer radicalizar? A que atira balas de borracha e gás lacrimogêneo nas manifestações? Que não oferece nenhuma escolha à juventude pobre, vítima da polícia e do tráfico nas favelas, pela falta de expectativa de vida? Que deixa a grande maioria da população com péssimos serviços de saúde e educação? Que oprime cotidianamente as mulheres, negros e homossexuais?

Os chamados “novos movimentos”, que tiveram grande força principalmente na Europa, mas que influenciaram os jovens de todo o mundo, tinham como bandeira a “Democracia Real”. O Juntos se diz herdeiro dessas organizações aqui no Brasil. Mas defender a “democracia real” dos “novos movimentos” na verdade não tem nada de novo. É o velho discurso de melhorar o capitalismo, de esperar que por dentro desse sistema possa haver solução para nossos problemas.

O 15-M da Espanha, por exemplo, se negou a apoiar a luta dos trabalhadores mineiros, contra o fechamento das minas e, consequentemente, pela manutenção de seus empregos. Essa é a expressão do limite de uma organização que não escolhe um lado claro.

Nós achamos que são inconciliáveis os interesses da burguesia com os da classe trabalhadora e da juventude. Por isso, a única forma de termos uma democracia de verdade é acabando com o capitalismo e construindo uma nova sociedade. O que tem que ser radical não é a democracia, e sim a ruptura com esse sistema. Afirmamos: democracia real, só com o fim do capital!

*Artigo publicado no Opinião Socialista 463

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