segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Juliana Nazelli, Juventude do PSTU- BH

As lutas que se iniciaram em junho, em resposta a contradição existente entre a presença da Copa das confederações que aconteceu no mesmo mês e também a Copa do Mundo que irá acontecer em 2014, e ao mesmo tempo a falta de politicas sociais que atendam a população como emprego, moradia, saúde, educação pressionaram o Governo Dilma a atender as principais demandas da população. Dentre elas, uma das mais faladas foi a precarização da saúde, que se expressa tanto no âmbito publico, quanto no âmbito privado. Faltam vagas nos hospitais, faltam especialistas, o atendimento é demorado e precarizado, dentre outros vários problemas.

Em resposta, o governo federal lançou o programa "Mais médicos". O programa prevê a ida de médicos, principalmente estrangeiros para as cidades do interior onde há carência desses profissionais. 

Muitos acreditam que a ida de novos médicos para as cidades do interior resolverá em parte os problemas de saúde da população. Mais vejamos de fundo o que representa o programa mais médicos.

A saúde em Minas Gerais vai mal 

Em Belo Horizonte a convivência com obras publicas se tornou rotina. A cidade vem sendo preparada a alguns anos para receber a copa do mundo, principalmente com a interminável obra da BRT. Junto com esse pacote preparatório para a Copa do Mundo, existe um verdadeiro processo de higienização da cidade. Usuários de crack e outras drogas são internados compulsoriamente, com o objetivo de mascarar esse problema da cidade, juntamente com o problema da pobreza, violência, e a falta de moradia.

Ao mesmo tempo que a cidade se prepara para a Copa, a saúde vai um caos. Nos últimos 10 anos, muitos hospitais foram fechados, e a construção de outros se arrastam por anos, como por exemplo as obras do Hospital Regional do Barreiro.
No interior não é muito diferente. Faltam médicos, mais também faltam infra estrutura, hospitais, centros de saúde, upas , equipes multiprofissionais. A maioria das cidades do interior não possuem hospitais de alta complexidade, e é rotineiro para a população, ter que viajar para outros locais em busca de atendimento médico, e tratamentos de alta complexidade. Com isso, os grandes hospitais como o Hospital das Clínicas.

Além disso o Governo Federal não investe o valor mínimo previsto na Emenda Constitucional 29 de 12% do orçamento da União, ao invés disso, a ameaça de parcerias público privadas é constante, tanto por parte do Governo Estadual, como do Governo Federal como por exemplo a vinda da EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) para gerir o Hospital das Clínicas.

Nesta segunda feira ( 02/09/13) foi anunciada a chegada de 72 médicos brasileiros, e 16 médicos estrangeiros em Belo Horizonte. Eles serão distribuídos entre 46 municípios que requisitaram a participação no programa. 

O programa "Mais médicos" promete revolucionar a saúde das cidades do interior do Brasil, porém é só olhar para a situação dos serviços de saúde desses, e de outros locais, e perceber que os problemas da saúde do Brasil não são a falta de médicos somente, e sim a falta de prioridade com que os governos tratam a saúde. A verdade é que faltam médicos, e também outros profissionais, porque faltam condições dignas de trabalho, e também de atendimento para a população. A falta de aparelhagem, tecnologias, medicamentos, infra estrutura, e condições dignas de trabalho é que são o grande problema a ser resolvido. O programa "Mais médicos" não garante nada disso para as cidades do interior, pelo contrário: os médicos contratados não tem direito a férias, 13º salário, direitos trabalhistas, e nem Planos de cargos, salários e carreiras. Esses profissionais vão continuar trabalhando em situações precárias.

O que resolve os problemas da saúde do Brasil, é a inversão de prioridades dos Governos. Que eles parem de investir nos serviços privados, dar dinheiro aos grandes empresários e comecem a investir pelo menos 10% do PIB na saúde pública, que garantam boas condições de trabalho, com plano de carreira, e infra estrutura para os trabalhadores de saúde. Além disso é necessário que a formação de médicos para trabalhar na saúde publica comece desde a graduação, com currículos que refletem ás necessidades do SUS, e investimento na educação que possibilite que a juventude filha da classe trabalhadora ingresse e se mantenha nas Escolas de Medicina.

A vinda dos médicos Cubanos para o Brasil

Muito se falou sobre a chegada dos médicos Cubanos no Brasil, e a maneira racista e xenofóbica com que foram recebidos. O PSTU não endossa esse discurso. A crítica que temos é ao programa do Governo Federal, e não aos médicos estrangeiros.

O acordo entre Brasil e Cuba, expressa uma grande precarização dos trabalhadores Cubanos, que irão trabalhar em condições precárias, recebendo baixos salários. Esses trabalhadores não irão receber o pagamento integral do Governo Brasileiro que é de 10 mil reais. Esse dinheiro será repassado para o Governo de Cuba que irá repassar cerca de 2.500 reais para os médicos. Esse salário para os médicos Cubanos, expressa um aumento significativo pois em Cuba eles recebem cerca de 40 dólares (mais ou menos 100 reais),o que faz com que esses trabalhadores aceitem trabalhar nas péssimas condições que se encontram os serviços de saúde do Brasil.

Não podemos ser a favor desse acordo que explora os trabalhadores Cubanos!

- Toda solidariedade aos médicos Cubanos!
- Não aos discursos racistas e xenofóbicos contra a vinda dos médicos Cubanos!
- Por um SUS público, gratuito e de qualidade!
- Por investimento de no mínimo 10 % do PIB para a saúde pública
- Por reestruturação dos Planos de carreira dos profissionais da saúde!
- Não ás privatizações!

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